segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Todas as crianças/pessoas podem aprender e se desenvolver: "As Borboletas de Zagorsk" (1990)

 

O documentário "As Borboletas de Zagorsk" (1990) conta parte do cotidiano de crianças com deficiência no fim da União Soviética. Um país (ou uma organização de países) que mesmo entrando em um período conturbado ainda tinha espaço para auxiliar pessoas com deficiência a desenvolverem outras capacidades para lidar com o mundo, partindo do legado de Lev Vigotski. O autor acreditava que "crianças deficientes não devem ser abordadas através de sua deficiência. Em vez disso, deveriam ser ensinadas a desenvolver seus outros sentidos ao ponto de poderem ser usados para compensar o que foi perdido".

Mais do que a crença na em que todas as crianças/pessoas podem aprender e se desenvolver, para Vigotski a comunicação era sinónimo de poder. E essa afirmação faz todo o sentido. Como o filme bem nos revela: as crianças que passaram por instituições com o método de Lev Vigotski puderam constituir uma vida cheia de sucessos, apesar da forma diferente de ver, ouvir e sentir o mundo. Puderam fazer uma universidade e se tornar também professores, psicólogos, jogadores etc.

Nesse sentido, e encaminhando para o fim, é importante destacar que mais que poder, a comunicação garante dignidade através da interação com os outros. Independente das limitações, todas as crianças/pessoas podem aprender e se desenvolver através de mecanismos compensatórios, passando a utilizar outros sentidos para substituir seus sentidos perdidos. E, através desse aprendizado, se supera dificuldades e tomasse conhecimento da própria força.

Recuperar esse documentário e o legado de Lev Vigotski é essencial no momento em que vivemos. A poucos dias um decreto do presidente Jair Bolsonaro aprovou a “nova política nacional de educação especial”[1], extinguindo a obrigação que as escolas regulares tinham de matricular pessoas com deficiência, estimulando a criação de ambientes específicos para receber pessoas com necessidades especiais, retornando a um modelo excludente. Vigotski nos lembra que pessoas com deficiência não podem colocadas a margem da sociedade, que é no convívio afetuoso que essas pessoas se desenvolverem plenamente.



[1] Fonte: nsctotal.com.br. Acesso no dia 16/10/2020.

Análise do filme de Miguel Ocelot, Kiricu e a Feiticeira

           Contexto do filme

O filme de Miguel Ocelot é uma adaptação de um conto africano em que a inteligência e a busca por conhecimento se mostram vitoriosas sobre as mais diversas dificuldades, acima dos maniqueísmos típicos dos filmes infantis. Kiricu é um pequeno ser humano que já nasce falando e andando. Isso é uma extrapolação da realidade para mostrar que ele é diferente dos demais membros de sua vila. Desde cedo faz muitas perguntas a sua mãe, ao sábio, ao tio. É rebelde, de certa forma, pois busca sair da inércia, superar a situação na qual seu povo se encontrava, submissos aos mandos e desmandos de uma feiticeira. Os relatos sobre a feiticeira, por mais terríveis que fossem - ela comeu os homens, sequestrou crianças, roubou o ouro, secou a fonte, queimou cabanas – não o impediram de seguir perguntando e buscando soluções cada vez mais criativas para os problemas que encontrava.

 

Kiricu, o inconformado?

A rebeldia de Kiricu é talvez a sua característica mais importante, ao menos para o desenvolvimento da história, pois é ela que o move. O pequeno guerreiro quis saber o motivo das coisas serem como são, um pesquisador nato. Inconformado com a sua realidade e com as explicações simplistas, não se dá por satisfeito ao ouvir que uma ou outra atitude não é própria para o seu tamanho ou sua idade. Exemplo mais latente disso é o questionamento incessante dos motivos da maldade da feiticeira. E é justamente esse “ímpeto pesquisador” a sua maior vantagem: as ilusões – das quais sua mãe afirma que Karabá necessita para manter seu poder – se desfazem no ar perante a “inteligência livre”, como caracterizou seu avô, de Kiricu.

 

A jornada do herói

Desde o início, a investigação dos fatos da narrativa só trouxe bons resultados finais a Kiriku. Mesmo com dificuldades no caminho, como bem ilustra a cena em que Kiricu está cavando por de baixo da cabana da bruxa, há sempre caminhos alternativos e, principalmente, criativos quando desenvolvemos a capacidade de usar o que temos a nosso favor. Além disso, uma outra questão de grande relevância, não só pra pesquisadores, é aprender a aproveitar e tirar o melhor de cada momento. Talvez uma das falas mais tocantes do filme seja a do avô de Kiricu lhe dizendo para aproveitar quando é pequeno para ser pequeno para, ao crescer, se alegrar por ter crescido e não almejar voltar a ser pequeno. Se posso fazer um comentário pessoal: essa fala do avô me lembrou uma antiga professora nos dizendo – calouros de ciências sociais – para nos permitirmos ser calouros, ter dúvidas, errar, para alcançar o fim último que é aprender.

 

Para além do maniqueísmo: a libertação da feiticeira

Como dito anteriormente, a pratica investigativa trouxe bons resultados a Kiriku. Talvez o melhor deles tenha sido o casamento com a feiticeira, depois de sua redenção. É aqui onde o longa superou o “maniqueísmo padrão” de muitas produções infantis. Karabá não é puramente má, ela é, em parte, uma vítima acostumada com a dor – neste caso física – de um espinho na coluna. Mas essa é mais uma das metáforas do filme: o quão maus podemos nos tornar ao acostumarmos com a dor, seja ela causada por qualquer motivo. E, além disso, não foi a feiticeira que secou a fonte de água, nem comeu guerreiros. Foi uma mistura de sentimentos e coincidências que colocou Karabá em sua posição de feiticeira e as pessoas da vila em posição submissa, por medo e por não tomar uma atitude proativa de buscar respostas para as questões do cotidiano. Não estou tomando o lado do opressor, apenas constatando que tanto a feiticeira como os moradores da vila já se encontravam em tal estado de conformidade que se tornaram imóveis. Tanto é que, no final, ao retornar casado a vila, Kiricu é recebido com dúvidas e ódio, o que é perfeitamente compreensível após anos de tormento. Sendo assim, pensar essa película é pensar sobre nossas atitudes diante das dificuldades da vida, seja na pesquisa ou no simples convívio cotidiano, superando maniqueísmos e buscando conhecimento para lidar de forma criativa com os empecilhos.

 

Referências bibliográficas

Kiriku e a Feiticeira (Michel Ocelot, 1998).

1. Na sua percepção, que postura o pesquisador deve ter considerando o filme “Kiriku e a Feiticeira”?

 

O filme de Miguel Ocelot é uma adaptação de um conto africano em que a inteligência e a busca por conhecimento se mostram vitoriosas sobre as mais diversas dificuldades, acima dos maniqueísmos típicos dos filmes infantis. Kiricu é um pequeno ser humano que já nasce falando e andando. Isso é uma extrapolação da realidade para mostrar que ele é diferente dos demais membros de sua vila. Desde cedo faz muitas perguntas a sua mãe, ao sábio, ao tio. É rebelde, de certa forma, pois busca sair da inércia, superar a situação na qual seu povo se encontrava, submissos aos mandos e desmandos de uma feiticeira. Os relatos sobre a feiticeira, por mais terríveis que fossem - ela comeu os homens, sequestrou crianças, roubou o ouro, secou a fonte, queimou cabanas – não o impediram de seguir perguntando e buscando soluções cada vez mais criativas para os problemas que encontrava.

 

 2. Qual é o ponto de partida para qualquer estudo/pesquisa segundo o filme “Kiriku e a feiticeira”?

 

A rebeldia de Kiricu é talvez a sua característica mais importante, ao menos para o desenvolvimento da história, pois é ela que o move. O pequeno guerreiro quis saber o motivo das coisas serem como são, um pesquisador nato. Inconformado com a sua realidade e com as explicações simplistas, não se dá por satisfeito ao ouvir que uma ou outra atitude não é própria para o seu tamanho ou sua idade. Exemplo mais latente disso é o questionamento incessante dos motivos da maldade da feiticeira. E é justamente esse “ímpeto pesquisador” a sua maior vantagem: as ilusões – das quais sua mãe afirma que Karabá necessita para manter seu poder – se desfazem no ar perante a “inteligência livre”, como caracterizou seu avô, de Kiricu.

 

 3. O que está disponível a todo pesquisador de acordo com o filme “Kiriku e a feiticeira”?

 

A “inteligência livre”, segundo o avô de Kiricu, que é percebida nas incessantes dúvidas e nas formas criativas de resolução dos problemas.

 

4. De onde vem a inquietude do pesquisador segundo o filme “Kiriku e a feiticeira”?

 

Da vontade de mudar a sua realidade, e, por consequência, do seu povo.

 

 5. Tomando a figura da feiticeira, na verdade contra o que Kiriku luta?

 

Contra a ilusão ou as ilusões, seja da bruxa, seja do povo do vilarejo. A pratica investigativa trouxe bons resultados a Kiriku. Talvez o melhor deles tenha sido o casamento com a feiticeira, depois de sua redenção. É aqui onde o longa superou o “maniqueísmo padrão” de muitas produções infantis. Karabá não é puramente má, ela é, em parte, uma vítima acostumada com a dor – neste caso física – de um espinho na coluna. Mas essa é mais uma das metáforas do filme: o quão maus podemos nos tornar ao acostumarmos com a dor, seja ela causada por qualquer motivo. E, além disso, não foi a feiticeira que secou a fonte de água, nem comeu guerreiros. Foi uma mistura de sentimentos e coincidências que colocou Karabá em sua posição de feiticeira e as pessoas da vila em posição submissa, por medo e por não tomar uma atitude proativa de buscar respostas para as questões do cotidiano. Não estou tomando o lado do opressor, apenas constatando que tanto a feiticeira como os moradores da vila já se encontravam em tal estado de conformidade que se tornaram imóveis. Tanto é que, no final, ao retornar casado a vila, Kiricu é recebido com dúvidas e ódio, o que é perfeitamente compreensível após anos de tormento. Sendo assim, pensar essa película é pensar sobre nossas atitudes diante das dificuldades da vida, seja na pesquisa ou no simples convívio cotidiano, superando maniqueísmos e buscando conhecimento para lidar de forma criativa com os empecilhos.

 

 6. O que leva as pessoas à ignorância?

 

O medo das ilusões e o conformismo com a situação de opressão.

 

 7. Como deve ser o questionamento do pesquisador?

 

Livre e adequado a realidade do pesquisador. Mesmo com dificuldades no caminho, como bem ilustra a cena em que Kiricu está cavando por de baixo da cabana da bruxa, há sempre caminhos alternativos e, principalmente, criativos quando desenvolvemos a capacidade de usar o que temos a nosso favor. Além disso, uma outra questão de grande relevância, não só pra pesquisadores, é aprender a aproveitar e tirar o melhor de cada momento. Talvez uma das falas mais tocantes do filme seja a do avô de Kiricu lhe dizendo para aproveitar quando é pequeno para ser pequeno para, ao crescer, se alegrar por ter crescido e não almejar voltar a ser pequeno. Se posso fazer um comentário pessoal: essa fala do avô me lembrou uma antiga professora nos dizendo – calouros de ciências sociais – para nos permitirmos ser calouros, ter dúvidas, errar, para alcançar o fim último que é aprender.

 

 8. Qual é o contraponto de Kiriku?

 

No geral, o pensamento alienado, que é bem representado pelo oráculo da aldeia. Ele afirma saber tudo, mas não é capaz de explicar nada e não percebe que só corrobora para perpetuar a opressão.

 

 9. Como a ciência deve ser encarada?

 

Como uma forma de encontrar soluções criativas para problemas complexos, que supere maniqueísmos e jogue luz sobre as ilusões que nos mantem inertes no conformismo.

 

10. Como é possível perceber a limitação da ciência no filme?

 

A cena da toca, onde os desafios podem representar os obstáculos ao longo da pesquisa e a cena em que Kiricu volta adulto e acompanhado de Karabá para a aldeia. No primeiro caso, são as limitações que aparecem durante o fazer científico, limitações de campo, parte do cotidiano dos cientistas e pesquisadores. No segundo caso, trata-se de um problema social: a negação da credibilidade da ciência, o negacionismo. Desde o início, esse descredito aparece com as tentativas de sequestrar as crianças empreendidas pela feiticeira, que foram todas frustradas por Kiricu. Mas no final, ao se deparar com o fato de que a feiticeira era recheada de muitos outros sentimentos além da maldade, sendo capaz até mesmo de amar, os moradores do vilarejo tem um ímpeto assassino, somente interrompido pela chegada do avó de Kiricu acompanhado dos homens que haviam sido escravizados.

 

 11. Qual é a postura necessária diante da ciência de acordo com o filme?

 

Ativa, sagaz e resiliente. Ativa para não se dar por satisfeito com o que te oferecem de realidade, sagaz para não se deixar se enganar pelas ilusões e resiliente para superar os percalços do caminho do fazer científico.

 

 

(MODELO FICTÍCIO) PROJETO DE FINANCIAMENTO

 

Agrofloresta no Cerrado: uma proposta para a Industria da Farinha em Trindade-GO

 

1          Objetivos deste documento

 

Descrever de forma clara qual trabalho deverá ser realizado e quais entregas serão produzidas.

 

2          Situação atual e justificativa do projeto

 

A Irmãos de Gaia é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 10 de novembro de 2020. Seu principal objetivo é difundir técnicas sustentáveis de cultivo e aproveitamento da terra e dos recursos locais. A ONG tem seus patrocinadores atuais, porém, necessita arrecadar mais recursos para investir em novos projetos fundamentais para a sociedade de seu entorno. Atualmente a Industria da Farinha do município de Trindade tem sofrido com o pouco retorno do investimento feito somente no cultivo de mandioca. Como o principal ponto de venda dos produtores era a Feira Municipal de domingo, fechada temporariamente pela pandemia, foi solicitada a ONG que auxiliasse os produtores a diversificar as atividades rentáveis. Para cumprir tal objetivo desenvolvemos um projeto de design agroflorestal que possibilite não só a diversificação das atividades rentáveis com novos cultivos, como a melhoria na qualidade de vida através da diversificação a alimentação dos trabalhadores e melhoria do solo e emprego de insumos. Além de atender as necessidades dos agricultores, o projeto agroflorestal da Industria da Mandioca constituirá um modelo para implantação de agroflorestas no cerrado.

 

3          Objetivos e critérios de sucesso do projeto

 

O objetivo é criar e implantar um design agroflorestal adequado para os trabalhadores da Industria da Farinha. O projeto será considerado um sucesso se atender a todos os critérios de aceitação dos beneficiados e servir como modelo para desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis no cerrado goiano, além respeitar as restrições e cumprir o cronograma de execução e principalmente atender o objetivo abaixo:

 

          Arrecadar o valor de R$ 8.000,00 por hectare (são, ao todo, 14 hc, totalizando R$ 112.000,00) para subsidiar o projeto e a implantação;

          Arrecadar o valor de R$ 120.000,00 para subsidiar os recursos humanos necessários.

 

Atualmente a área comunitária da Industria da Farinha é de 14 hectares, totalizando carência de R$ 232.000,00. O recurso será empregado em 3 fases principais: no primeiro mês, levantamento dos saberes e técnicas de cultivo local (realizado por antropólogos através de entrevistas com produtores); no segundo mês, estudo dos indicadores para seleção de espécies e arranjo (realizado por agrônomos através de levantamentos de campo); e nos meses subsequentes, desenvolvimento e implantação de design (realizado por parceria entre beneficiários, antropólogos e agrônomos).  Todas as etapas serão acompanhadas e registradas nas redes sociais da ONG. Ao final de cada etapa a ONG realizará um evento para receber e apresentar os doadores aos resultados parciais. A prestação de contas se dará no término do período de 10 meses com exposição da contabilidade em relatório contendo escrutínio das etapas e registro fotográfico.

 

4          Metodologia

 

Para este projeto adotaremos a proposta desenvolvida pelos profissionais da Preta Terra. Entendemos que todo projeto agroflorestal deve atender a cinco critérios para ser eficiente, devendo ser: modular, replicável, elástico, aderente e decisório temporal. Sendo projetado de forma modular, o projeto é passível de replicação, balizando empreendimentos futuros no cerrado, pois possibilitará que outras comunidades, ao visitarem o empreendimento possam captar informações o suficiente para iniciar a replicação em outros espaços. É nesse ponto que a elasticidade e aderência ganham importância, pois são esses dois critérios desenvolvidos na fase de design que garantem que o projeto possa ser implantado em outros lugares no mesmo bioma com pequenas alterações. Ou seja, ele é aderente ao cerrado e também é elástico a condições específicas de diferentes populações. Por fim, o decisório temporal é mais um aspecto que garante elasticidade ao empreendimento agroflorestal, pois é um dispositivo que prevê períodos de mudança nas espécies cultivadas, tornando possível maior diversidade de produtos e capacidade dos produtores de atenderem novas demandas que possam vir a surgir.

 

5          Cronograma

 

O prazo total estimado para realização é de 10 meses, tendo como objetivo último ter todas as espécies plantadas.

Mês

Etapas

01

·         Levantamento dos saberes e técnicas de cultivo local;

·         Entrevista com moradores;

·         Inventário de equipamentos utilizados;

·         Inventário de técnicas utilizadas;

·         Levantamento de desejos e necessidades dos residentes.

01-02

·         Estudo dos indicadores para seleção de espécies e arranjo;

·         Adaptabilidade à zona de ocorrência;

·         Ciclo de vida;

·         Estrato;

·         Sucessão no sistema;

·         Área de copa e ocupação;

·         Necessidade de luz e suporte à sombra;

·         Necessidade hídrica;

·         Necessidade nutricional;

·         Valor ecológico.

03-10

·         Desenvolvimento e implantação de design.

 

A proposta inicial para passar por adequações locais é:

o   Espécie agrícola anual (Mandioca) - 1m x 1m;

o   Espécies florestais de alto valor - 10m x 10m;

o   Frutíferas - 10m x 2,5m.

Linha de serviço:

o   Bananeiras - 10m x 5m;

o   Sementes variadas.

(MODELO FICTÍCIO) CARTA DE APRESENTAÇÃO

 

FRANCISCO SOUSA

Brasília, DF | C: 62995377774 | franciscooctaviobdesousa@gmail.com

25 de setembro de 2020

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

RE: Busca por vagas.

Caros,

Em minha busca por novos empreendimentos criativos, fiquei feliz em encontrar no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) um espaço que constantemente abre postos de trabalho. Como um profissional ambicioso com experiência em selecionar e avaliar uma variedade de documentos, resumir material pertinente, coletar e analisar dados e preparar materiais de apoio para papéis de avaliação, estudos, resumos e relatórios, legado dos anos como discente pesquisador, acredito que seria uma excelente adição à sua equipe.

Identificar abordagens e soluções aprimoradas para desafios de negócios são atividades que me impulsionam e inspiram. Acredito que minha experiência com conhecimento de metodologias de pesquisa, coleta e manutenção de dados e capacidade de identificar, extrair, analisar e formatar dados de uma ampla variedade de fontes padrão e não padrão são o que vocês buscam para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Contribuições da minha função anterior como pesquisador financiado pela Fundação Universidade de Brasília campo das ciências ambientais me legaram domínio do assunto e persistência quando confrontado com problemas ou desafios difíceis. Eu desenvolvi fortes habilidades em colaboração e fomentei uma reputação como um contribuidor importante por meio de habilidades de comunicação obtidas em estágio no Departamento de Ciência da Computação da Universidade da Brasília, que me garantiram a ampliação do jargão profissional. Como um membro da equipe, sou colaborativo com os colegas e procuro maneiras de integrar percepções valiosas. Por meio dessas qualidades, tenho confiança em minha capacidade de fixar objetivos claros que são consistentes com as estratégias acordadas e identificar atividades e atribuições prioritárias para ajustar as prioridades conforme necessário visando usar o tempo com eficiência. Me inspiro na carreira de Barbara Hendrie, diretora do Escritório para a América do Norte, formada em antropologia social, com anos de dedicação ao desenvolvimento sustentável e assuntos humanitários.

Sou nascido no interior de Goiás, o que contribui para o critério de recrutamento numa base geográfica tão ampla quanto possível. Sou técnico em edificações formado de Instituto Federal Goiano – Campus Trindade. Realizei pesquisas em laboratório na área de análise de combustíveis, pesquisas em campo na área de mecânica dos solos e pesquisas bibliográficas para qualificação de material didático. Essas pesquisas me legaram habilidades com acompanhamento e compilação de informações de uma ampla variedade de fontes. Sou aluno de Ciências Sociais na Universidade de Brasília. Sou membro do Grupo de Ensino e Pesquisas Americanistas. Atualmente realizo pesquisa na área de história ambiental e antropologia ecológica, me aprofundando cada vez mais nas questões de biodiversidade com a experiência na coleta e pesquisa de dados em várias áreas de desenvolvimento social. Como tenho interesse pelos temas Meio Ambiente em estudo, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e Tecnologia, projeto realizar o trabalho de conclusão de curso mesclando trabalho de campo e georreferenciamento, atentando para as relações ecológicas dos membros da comunidade observada. Tenho bom domínio do espanhol. Pretendo dominar, nos próximos anos, o inglês e o francês.

 

Atenciosamente,

Francisco Sousa

(MODELO FICTÍCIO) PROJETO DE LEI N° PL 341/2020

 

Dispõe sobre padronização das calçadas e vias públicas do município.

 

A Câmara Legislativa de Trindade decreta:

 

Art. 1º Fica estabelecida a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Trindade na padronização das calçadas do Município em consonância com a ABNT 9050/2015, Código de Obras e o Plano Diretor.

§ 1º A execução das calçadas de forma padronizada é de responsabilidade dos proprietários e locatários dos lotes, ficando sob responsabilidade da Prefeitura Municipal de Trindade o estabelecimento da padronização e fiscalização da execução e manutenção.

 

Art. 2° A Prefeitura Municipal de Trindade, por meio de seus órgãos de fiscalização previamente definidos em lei complementar deverá atuar na fiscalização para o cumprimento das normas técnicas estabelecidas para as calçadas em todos os logradouros do Município. Aqueles que não cumprirem a padronização integral nos prazos estabelecidos por lei, estarão sujeitos a multa estabelecida na mesma lei complementar.

 

§ 1º A Prefeitura Municipal de Trindade, deverá atribuir a função de fiscalização para mais de um órgão municipal, evitando, assim, a escassez de fiscais.

 

Art. 3° Fica estabelecido prazo de 1 ano para a padronização das calçadas já existentes na cidade de Trindade.

 

§ 1º As novas edificações na cidade de Trindade somente receberão o alvará de “Habite-se” quando certificado pelo órgão responsável o estrito cumprimento da padronização da calçada determinada em lei complementar.

 

Art. 4° A padronização deverá seguir os critérios:

 

§ 1º O piso deve ser Paver (blocos de concreto intertravado sob colchão de pó de pedra e areia, permitindo a infiltração de água no solo) com inclinação de 2% a 3%, no sentido do lote para a rua. Calçadas com largura menor que 2,50m possuem uma faixa de 40cm em Paver junto ao alinhamento do lote e uma faixa, também em Paver, com o desenho padrão da rua junto ao meio fio, não havendo degraus entre lotes. Em todos acessos até a faixa de pedestres e esquinas, deve haver uma rampa com inclinação máxima de 8,33% para permitir a circulação de pessoas com mobilidade reduzida, em consonância com a NBR 9050/2015, NBR 16537/2016 e Lei nº 13.146/2015.

 

§ 2º Caso a largura da calçada não comporte o desenho padrão da rua é necessária a consulta à Secretaria Municipal de Habitação para adequações.

 

Art. 5° Essa lei entra em vigor em 90 dias após a data de sua publicação.

 

JUSTIFICAÇÃO

 

De acordo com o IBGE, cerca de 30% do movimento nas cidades é realizado por pedestres. Em Trindade esse número é muito mais alto, visto que é uma cidade foco de turismo religioso, onde o público majoritário é composto por idosos. Desse modo, as boas condições das calçadas não só são essenciais para a mobilidade urbana, mas para o bem estar dos turistas, em sua maioria idosos e com mobilidade reduzida.

Além disso, Trindade conta ainda com a Vila São José Bento Cottolengo, instituição filantrópica que auxilia pessoas com diferentes limitações. O contato dessas pessoas com o cotidiano da cidade traria bons resultados para o tratamento, como bem nos mostra o trabalho de Clarice Rios (UERJ) – ver <https://mundareu.labjor.unicamp.br/7-a-gente-vai-no-boca-a-boca/> – e tantos outros na área de saúde coletiva.

É preciso lembrar ainda que, segundo o art. 182 da Constituição Federal, a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. O plano diretor do município apresenta normas adequadas para a padronização das calçadas, mas infelizmente elas não são cumpridas.

Em depoimento prestado em outubro de 2020, a senhora Martha Agapito (75 anos), residente de Trindade a mais de 40 anos, conta como torceu o pé e lesionou o pulso a caminho da igreja por tropeçar em um fragmento solto da calçada:

 

“Todo sábado eu ia cedinho molhar as plantas, as vezes ia acompanhada, as vezes sozinha. Nesse dia eu estava acompanhada de uma neta. A gente foi conversando, conversa boba, distraída... nem vi a calçada quebrada... só senti o baque e perdi o equilíbrio. Botei a mão na frente pra não machucar o rosto e caí com tudo. Meu pé virou e machuquei o pulso por conta do peso. Eu queria molhar as plantas, mas estava com muita dor. A Julia me ajudou a voltar pra casa. Fui de carona pra o hospital. Usei tala e luvinha. Agora tenho que usar bengala, não saio sem... nem vou mais molhar as plantas da igreja.”

 

A padronização das calçadas já foi resolvida em diversas cidades, como Belo Horizonte, e muitas outras buscam formas de resolver o problema, como João Pessoa e Laguna. Por qual motivo nós, trindadenses, ainda retardamos a solução? Será preciso mais um acidente grave para que tomemos consciência da importância da padronização das calçadas em nosso município? Espero que não.

 

Sala das Sessões, em ...

 


 

Assunto: Distribuição do Projeto de Lei n° 341/2020 que "Dispõe sobre padronização das calçadas e vias públicas do município."

 

Autoria: Chico Sousa

 

Em 23/10/2020

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Amenizando contradições: mito e parentesco de C. Lévi-Strauss a E. Leach

 

Amenizando contradições:
mito e parentesco de C. Lévi-Strauss a E. Leach

 

O estruturalismo é uma escola antropológica da qual o melhor representante foi Lévi-Strauss. Partindo do estudo do parentesco, o objetivo final era encontrar as estruturas que garantiam o funcionamento do intelecto. O método de analise estruturalista foi empregado, tanto por Lévi-Strauss como por outros adeptos dessa escola, inúmeras vezes na análise de mitos. E é sobre a analise de mitos e a sua relação com o estudo do parentesco que esse texto se ocupa. Partindo das obras “A Gesta de Asdiwal” (1993) e “A legitimidade de Salomão” (1983) nos debruçaremos sobre mito e parentesco, buscando pontos de convergência e divergência a fim de compreender o alcance da analise estruturalista, bem como suas limitações.

A análise realizada nos dois textos passa por diversos níveis – geográfico, econômico, sociológico e cosmológico – para que, na comparação entre mitos, possa identificar relações abstratas de associação de corpos ou acontecimentos dotados de conteúdo pouco ou nada semelhantes. São os mitos que nos dão acesso aos fundamentos do pensamento sobre a condição humana, pois eles servem para amenizar contradições internas da organização social. É por essa razão que o parentesco aparece como ponto de partida para as interpretações dos autores, focalizando principalmente a relação de matrimónio e as trocas, atuando como ferramentas de coerção: ao tentar solucionar um problema e falhar, o herói do mito entrega o limite das exigências da vida social, com reflexos sobre a estrutura lógica subjacente aos já citados diversos níveis em que o mito se situa. É importante destacar que o mito, diferentemente das estruturas de parentesco, está em movimento e se transforma.

As críticas a essa perspectiva se atrelam ou a incapacidade de expandi-la para outros tipos de sociedade ou ao papel de reforçar a dualidade entre natureza e cultura. Sobre essa segunda, a abordagem dual é consciente, se tornando mais uma ferramenta interpretativa que um reforço inconsciente do dualismo. Sobre a primeira, Leach se ocupa em demonstrar a amplitude funcional da perspectiva estruturalista, apesar de destacar que seu objetivo maior não estava em ser totalmente fiel à essa perspectiva analítica. Apesar das convergências entre Leach e Levi-Strauss, o primeiro se demonstrou mais pragmático, preocupando-se com os problemas cotidianos da vida em sociedade. Já Levi-Strauss estava focado na oposição da ciência do concreto à ciência ocidental, tratando as duas como formas válidas de organizar o mundo.

 

Referências bibliográficas

LÉVI-STRAUSS, Claude. 1975. A Gesta de Asdiwal. Antropologia Estrutural II. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro

Leach, Edmund. A legitimidade de Salomão. In DaMatta, Roberto. Edmund Leach. São Paulo: Editora Ática


Nota: 11/15

Críticas: a avaliação é sempre comparativa. O texto estava muito genérico. não houve apontamentos dos mitos que cada autor traz e as incoerências que o mito tenta resolver, com as inversões e os exageros. Faltou trazer as questões específicas de cada texto abordado. Haviam questões de parentesco específicas que não foram relacionados aos mitos específicos. Foi falado muito de forma genérica e pouco de relação direta com os textos. O texto estava muito abstrato, sem ancoragem etnográfica, sem relação direta com os autores. Não se falou de como mito e parentesco se relacionam. 


 

sábado, 26 de setembro de 2020

Plano de Aula: questão ambiental para técnicos em edificações

 

Plano de Aula: questão ambiental para técnicos em edificações

 

Está aula será ministrada para alunos do terceiro ano do curso técnico em edificações durante o último trimestre letivo. É necessário que conceitos técnicos sobre solos, arquitetura básica e meio ambiente estejam bem delimitados.

 

Objetivo: introduzir a questão ambiental nas ciências sociais para tensionar, com os estudantes, as relações entre humanos e não-humanos, provocando reflexões sobre o fazer profissional do técnico em edificações.

 

Metodologia: para cumprir tal objetivo, deve-se abordar os temas: 1. natureza e cultura: iniciar com a discussão de Franz Boas e problematizar a separação entre os termos com a perspectiva da antropologia ecológica; 2. antropologia ecológica: apresentar o novo paradigma de estudo sobre as relações entre humanos e não-humanos; 3. solos e produtividade vegetal: demonstrar como diferentes populações humanas fazem uso dos vegetais e como isso está ligado ao solo, demonstrando que há conhecimentos sofisticados sobre o solo e suas características para além dos laboratórios de Mecânica dos Solos e Materiais de Construção; e 4. ajustes reguladores sociais/culturais: reforçar como o conhecimento de diferentes populações sobre o meio ambiente influência a construção das habitações, o vestiário, as tecnologias de subsistência e os rituais. É esperado que no final da aula os alunos estejam mais conscientes de que atos como movimentação de terra, limpeza do terreno, desenho arquitetônico etc, são constituídos de instrumentos cognitivos distintos, com metodologias diferentes e que respondem a interesses e ideologias também distintas.  

 

Previsão de desenvolvimento: duas aulas de 50 minutos intercaladas.

 

Recursos necessários: dia de sol, sapatos fechados, livro didático (“Sociologia Hoje”, 2016), projetor para leitura conjunta de: “Sociedades tradicionais podem servir de exemplo” (Eduardo Viveiros de Castro, 2017), leituras não-obrigatórias: Clifford Geertz (“Agricultural Involution”, 1963), Emilio F. Moran (“Adaptabilidade Humana”, 1994).

 

Dinâmica proposta: propõe-se uma volta no quarteirão em que, na ida, os alunos serão instigados a observar as construções, atendando-se para os elementos básicos do curso técnico (tipo de telha, tipo de bloco, direção das janelas etc) e na volta deverão observar os locais não construídos (lotes baldios, parques, gramados, pequenas plantações etc). Novamente em sala, com a turma organizada em círculo, inicia-se uma aula expositiva dialogada sobre:

1.                  natureza e cultura: a parte técnica das construções e a relação com a primeira interpretação do termo "cultura". Perguntar aos alunos sobre árvores e jardins nos espaços construídos (necessidade ou estética?). Perguntar sobre como adequar o solo para construção, como escolher o tipo de telha, etc. Perguntar sobre populações que não usam dos mesmos métodos.

 

Primeiro intervalo.

 

2. antropologia ecológica: começar a questionar se as construções, como expressão da cultura, realmente independem do meio ambiente e como a metodologia do curso técnico aborda as questões ambientais.

3. solos e produtividade: problematizar o espaço dos laboratórios como espaço único de produção de conhecimento. Refletir sobre a influência da metodologia e dos interesses do curso técnico. Abrir a discussão de finalização da aula sobre conhecimentos específicos fora do espaço acadêmico. Perguntar sobre familiares agricultores.

4. ajustes reguladores sociais/culturais: discutir a influência do meio ambiente sobre a construção das habitações, o vestiário, as tecnologias de subsistência e os rituais. Trazer exemplos de diferentes locais: malocas na Amazônia, iglus no Ártico. Realizar a leitura conjunta de: “Sociedades tradicionais podem servir de exemplo” (Eduardo Viveiros de Castro, 2017). O que aprender com sociedades tradicionais? Encerrar com fala sobre consciência dos instrumentos cognitivos envolvidos na realização de projetos de engenharia.

 

Fim da aula. Segundo intervalo.

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